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ATACAMA


Donde la América habla con el cielo


Viajar de moto é exercer a liberdade em sua plenitude, porque se está em contato direto com a natureza. Passa-se a respeitar os elementos da natureza e os seus próprios limites.


Participantes: Helio Mendes e Nilceu Mário Moro


 

 

 

Na tentativa de cumprir um sonho antigo, ir de Curitiba até Machu Picchu de motocicleta, eu Helio Mendes, técnico em petróleo, e Nilceu Mário Moro, mecânico, ambos trabalhando em plataforma marítima de produção de petróleo, acabamos tendo que retornar do deserto do Atacama devido a alguns imprevistos e dificuldades técnicas.


Levamos aproximadamente dois meses na preparação das motocicletas para suportarem o excesso de carga e também a necessidade de levar roupas adequadas para enfrentar as altas temperaturas durante o dia e o incrível frio que faz no deserto durante a noite e nas grandes altitudes.


 

As motocicletas usadas foram duas Honda NX 350 c.c. modelo Sahara, com 31,5 HP.


Quanto à documentação, procuramos nos precaver com todos os itens necessários: documentos das motos em nosso próprio nome e sem alienação financeira, carteira internacional de vacina contra a febre amarela, retirada na SUCAN, carteira internacional de motorista retirada no Touring Club (hoje deve ser feita nos DETRANS). Em consulta feita aos consulados, nos informaram que não seria necessário passaporte, mesmo assim levamos, decisão acertadíssima.


Com data marcada para partir em 19 de outubro de 1994, os últimos dias foram de ansiedade aguardando o desembarque do companheiro Nilceu Moro que cumpria seu turno de trabalho na plataforma de produção de petróleo no mar.



 

 

 

Conforme a previsão, às 12:00h do dia 19 de outubro partimos, com as despedidas dos familiares e amigos e com muitos votos de boa sorte. Após uns duzentos quilômetros encontramos uma companheira detestada pelos viajantes motociclistas, a chuva, que insistiu em nos acompanhar por quase todos os 2.100 km até Salta no início da subida dos Andes.


Uma "chuva passageira", nas palavras de Nilceu, porque era daquelas que sentam na garupa da moto e nos acompanham durante quase toda a viagem.


O primeiro pernoite, depois de rodar 495 km foi em Marmeleiro, próximo a Francisco Beltrão, ainda no Paraná, porém a apenas 80 km da fronteira.



 

O acontecimento em Marmeleiro foi conhecer o Mário do Avião. Ele viu as motos na frente do hotelzinho e nos procurou. Mário é eletricista de automóveis, construiu uma moto e um avião, ambos com motor Volkswagen.



 

A planta do avião foi fornecida pelo nosso amigo montanhista Paulo Henrique "Vitamina" Schmidlin, de Curitiba. Não tivemos saída, no dia seguinte fomos colocados dentro de um carro e levados para o aeroporto de Francisco Beltrão para ver o avião voar. Durante o trajeto até o aeroclube, numa velocidade muito acima do que as condições mecânicas da velha Belina permitiam, ele vai nos contando que não tem brevê e aprendeu a pilotar sozinho. A cada curva e à medida que nos aproximamos da pista a minha preocupação aumenta. Quando vejo o aviãozinho fico aliviado, tem lugar só para o piloto. Ainda bem! Insistente como o Mário é, com certeza, teria nos obrigado a voar com ele, se fosse possível.





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